O que podemos aprender com Hannah Gadsby?

Assisti “Hannah Gadsby: Nanette” por conta de uma indicação da Paula Abreu do Escolha sua vida.

Antes de começar a ler esse texto, indico você primeiro assistir ao stand-up disponível no Netflix e depois vir ler o texto para que você possa refletir sobre ele e sem que você leia um spoiler antes de assistir srs

No começo, eu não consegui rir e confesso que senti um pouco incomodada, não sei te dizer exatamente o porquê ainda, mas do meio pro final foi o que pegou.

Eu me sinto até um pouco limitada para falar sobre o que poderemos aprender com Nanette, pois na verdade, tudo o que eu falar aqui será muito pouco pela profundidade das mensagens que nos é passado, tenho receio até de ser injusta, mas falarei sobre algumas que me chamaram a atenção.

O stand-up Hannah Gadsby: Nanette nos faz pensar sobre humanidade, o que estamos valorizando atualmente e que mensagem estamos passando para nossas crianças, para as mulheres e o quanto devemos valorizar nossa história de vida.

No coaching, falamos muito de contarmos a melhor versão da nossa própria história e isso não quer dizer não contarmos os momentos de dor e sim, entendermos a história toda para assim valorizá-la e passá-la ao mundo de maneira humilde, verdadeira e que inspire outras pessoas e foi isso que aconteceu com Hannah.

Hannah Gadsby é uma comediante que sempre contou uma história diferente do que ela realmente viveu.

Para se encaixar ao mundo da comédia, ela contava a história de como foi para ela se “descobriu” lésbica e para fazer isso, ela fazia recortes de sua própria vida, mas na realidade, o que ela contava não era exatamente a história toda e ela começou a sentir falta de contar a verdadeira história.

Com o tempo, ela percebeu que precisava começar a valorizar sua história verdadeira, contá-la para outras pessoas, para que ela mesma pudesse entender, mas mais do que isso, para que ela pudesse compartilhar com outras pessoas e que isso mostrasse a outras mulheres que elas não estão sozinhas.

“Eu não conto isso para que me vejam como vítima. Não sou vítima. Conto isso pois minha história tem valor. Minha história tem valor. Conto isso pois quero que saibam, preciso que saibam o que eu sei”

Hanna Gadsby

 

E você, qual a história que você conta da sua história?

Você valoriza a sua história?

Quando conseguimos, entender e valorizar nossa história, nos reconstruímos, pois entendemos que através daquela sombra, daquela dor e compartilhando o que passamos com outras mulheres, nós podemos sim, encontrar forças para prosseguirmos e superarmos.

 

“Porque vocês sabem que não há nada mais forte que uma mulher destruída que se reconstruiu”

Hannah Gadsby

 

Hannah traz a reflexão sobre homens que fazem e fizerem parte da nossa história, que idealizamos e idolatramos de alguma forma, mas que cometeram atrocidades, coisas desumanas e são tratados como se isso fosse algo “normal”.

Mário Sérgio Cortella costuma chamar a atenção para a diferenciação do que chamamos de normal, inclusive tem uma frase que gosto bastante dele que é:

 

O que Mário Sergio Cortella nos diz é que muitas coisas chamamos de normal, mas devemos cuidar melhor desse hábito, pois aceitando como normais, nos anestesiamos e paramos nos questionar sobre aquele problema.

Que de certa forma, tem haver também com a mensagem que a Hannah traz de acordarmos para a nossa própria humanidade, para nossa consciência.

Estamos tão preocupadas com poder, com reconhecimento, com aparecer, com a verdade que é sua e não necessariamente é a do outro que acabamos muitas vezes sendo influenciadas pela raiva e esquecemos nossa humanidade.

“Achamos mais importante estar certos do que apelar para a humanidade daqueles de quem discordamos.”

Hannah Gadsby

 

Você está mais preocupada em ter razão ou antes disso, você questiona suas escolhas para saber se elas estão de acordo com o amor e a humanidade que o mundo precisa?

Seria tão fácil se nosso filtro fosse a humanidade, se pensássemos se aquilo fará mal para o outro, se eu estou realmente sendo o humano que o mundo merecia que eu fosse.

O que você tem feito para mostrar sua humanidade?

Você está preocupada apenas com alimentar seu ego ou a humanidade existe como filtro para que suas decisões sejam tomadas, para que você seja uma pessoa melhor?

Independente do que alguém, algum líder, do que sua religião diz que é melhor?

 

Precisamos do novo para melhorar, para nos reinventar, precisamos quebrar o ciclo de culturas ruins que temos ingerindo diariamente como se fosse algo normal.

A maneira como Hannah Gadsby conta tudo isso chega a ser perturbador e acredito que é isso que ela quer com esse stand-up nos perturbar justamente para nos fazer refletir, deixar essa tensão conosco para que ela possa causar algum incomodo real.

De todas as mensagens que Hannah nos passa, a mensagem principal que quero deixar aqui é a importância de compartilharmos nossas histórias umas com as outras, entendermos que não estamos sozinhas e que muita gente pode aprender com sua história por mais que você possa achar que sua história é comum ou que ninguém vai se importar.

 

 

E você, o que pode aprender com Hannah Gadsby: Nanette?
Conta nos comentários ♥

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2 comentários em “O que podemos aprender com Hannah Gadsby?

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    Refleti muito e aprendi mais ainda com a vivenciarem e fala da Hanna, mas confesso que estou submersas em mim com a frase ‘ não há nada mais forte do que uma mulher destruída que se reconstruiu’… algo reacendeu.

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      Joyce, é incrivel como para cada uma de nós fica uma mensagem diferente, né?
      Se essa frase te fez refletir tanto tem algum motivo, fico feliz que tenha feito reacender algo em você ♥
      Obrigada pelo comentário,
      Camila Napolitano.

      Resposta

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